domingo, 9 de outubro de 2011

CORRUPTOS/CORRUPTORES. DO BRASIL -A PRIMAVERA BRASILEIRA VAI CHEGAR

Nas ruas, uma tradição que vem desde 1776

Para historiador, o movimento Ocupar Wall Street reflete os anseios de larga faixa da sociedade americana e incorpora uma antiga prática que remonta aos tempos de Thomas Jefferson

09 de outubro de 2011 | 3h 07
CHRISTIAN SCIENCE MONITOR , JONATHAN ZIMMERMAN LECIONA HISTÓRIA , E EDUCAÇÃO NA UNIVERSIDADE DE NOVA YORK. , É AUTOR DE SMALL WONDER: THE LITTLE RED SCHOOLHOUSE IN HISTORY AND MEMORY , (YALE UNIVERSITY PRESS) - O Estado de S.Paulo
JONATHAN ZIMMERMAN


A maioria dos manifestantes do movimento Ocupar Wall Street em Nova York e seus imitadores pelo país parece deliberadamente mal-ajambrada - como você estaria se estivesse dormindo num parque da cidade há vários dias. E alguns ainda estão vestidos como "zumbis corporativos", com o rosto pintado de branco, cantando "eu cheiro dinheiro". De modo que pode ser tentador para as pessoas acharem que são extremistas desajustados, à margem da sociedade.

Pense de novo. Tendo como alvo a corrupção e a cobiça corporativa, os manifestantes incorporaram uma tradição venerável do populismo americano ("populismo", neste artigo, tem sentido de participação popular, e não de prática demagógica). Desde a alvorada da república até um passado recente os americanos respeitam pessoas que trabalharam duro e denunciam os magnatas financeiros que mergulham como aves de rapina sobre elas.

Por mais imoderados ou excessivos que tenham sido seus protestos, eles provocaram algumas das nossas mais importantes reformas sociais, incluindo a regulamentação e o controle do próprio setor financeiro.

A começar com o autor da Declaração de Independência, Thomas Jefferson, que temia que uma "aristocracia endinheirada" prendesse a jovem nação em novas correntes. "Acredito sinceramente ... que os estabelecimentos bancários são mais perigosos que exércitos em posição de combate", Jefferson afirmou. E manifestou desdém especial pela especulação financeira, que rotulou de "uma espécie de aposta que destrói a moralidade".

Algumas décadas depois, Andrew Jackson denunciou o Second Bank dos Estados Unidos como, essencialmente, uma trapaça para enriquecer os abastados às custas do trabalhador. Ele também contribuiu para o fim de normas exigindo que uma pessoa tivesse propriedades para poder votar e ocupar um cargo, normas que, declarou com desprezo, "tornavam qualquer homem branco semelhante aos especuladores das bolsas, corretores e apostadores".

No final do século 19, quando grandes instituições financeiras começavam a se instalar em Lower Manhattan, o sentimento populista encontrou novo alvo: Wall Street. "Nome mais detestado não será encontrado no vocabulário da política americana", trovejou Tom Watson, nomeado candidato à vice-presidência pelo recém-criado Partido do Povo, em 1896. "Eis o que realmente é Wall Street: vemos aqui os verdadeiros dirigentes da república... O governo se inclina sob o tacão de ferro em cima do seu pescoço."

Cinco anos depois, quando Theodore Roosevelt chegou à Casa Branca, o populismo também ingressou na política mais conservadora americana. Na ala republicana, Roosevelt amaldiçoou os "malfeitores da grande riqueza" - especialmente os financistas de Wall Street - por corromperem a política americana. Do mesmo modo se manifestou Woodrow Wilson, porta-bandeira dos democratas, preocupado com o fato de que "todas as nossas atividades estão nas mãos de um punhado de homens".

Mas os ataques mais ferozes vieram do primo distante de Theodore Roosevelt, Franklin Delano Roosevelt, que assumiu a presidência em meio à pior crise financeira da história americana. Ele não tinha nenhuma dúvida sobre quem eram os responsáveis por ela: os próprios financistas.

"O problema principal dessa turma da bolsa de valores é ... sua incapacidade de entender o país, ou o público, ou suas obrigações para com seus camaradas", disse Roosevelt a um assessor. Na sua primeira "conversa ao pé do fogo" na rádio nacional, o presidente afirmou categoricamente que "pouco menos do que umas três dezenas de bancos privados" controlavam "todo o fluxo de capital americano".

Certamente, do seu lado mais sombrio, o populismo facilmente se encaminharia para a paranoia e o ódio, especialmente com relação aos judeus. O "banqueiro judeu" tornou-se a imagem símbolo para antissemitas como Henry Ford, o padre Charles Coughlin (o padre da rádio) e Henry Adams, romancista e historiador famoso.

Henry Adams escreveu em 1893 que "numa sociedade de judeus e corretores da bolsa, um mundo constituído de maníacos por ouro, eu não tenho lugar". Seu irmão, Brooks Adams, também um importante escritor, compartilhava o mesmo sentimento. "Roma foi um abençoado jardim paradisíaco apesar dos reles, assexuados, trapaceiros e mentirosos judeus, representados pelo JPMorgan e a gangue que tem manipulado nossa economia", disse Brooks a seu irmão Henry.

Franklin Roosevelt explorou os temores do país com Wall Street para estabelecer regulamentos para bancos e transações com títulos, e o governo federal se tornou o baluarte contra as trapaças financeiras. Mas o seu New Deal também marcou o ápice do populismo anticorporativo, que se dissipou na relativa prosperidade das décadas de 40 e 50.

Nesse ínterim, uma forma diferente de populismo começou a criar raízes. Incitado pelos conservadores no oeste, ele atacava o governo muito intervencionista, e não os grandes bancos. Em 1980, Ronald Reagan levaria esse populismo de direita para a Casa Branca. Como líderes anteriores, Reagan atacou uma força distante, sem rosto, que empobrecia o homem comum. Mas essa força alienígena era Washington, D.C., que substituíra Wall Street como pesadelo.

Quem conseguirá reverter essa fórmula, reconectando o populismo a sua história anticorporativa? Provavelmente não será Barack Obama, que tem se mostrado um bom liberal, mas um péssimo populista. Os liberais anseiam por muitas das coisas com que os velhos populistas sonhavam, especialmente um Estado controlador forte, mas também prezam o diálogo e o compromisso, duas falas favoritas de Obama. O populismo, pelo contrário, é uma linguagem da retidão e da ira: em vez de procurar um lugar comum, ele une os americanos na defesa dos seus direitos inatos contra tiranos e usurpadores. E essa não tem sido uma característica de Obama desde que ele assumiu a presidência.

Nos últimos anos, na verdade, apenas o Tea Party fez uso, com sucesso, da tradição populista. Mas usou seu poder de fogo quase exclusivamente contra o governo - e, na maior parte das vezes, contra o próprio Obama. Milhões de americanos ainda acham que o presidente Obama não nasceu nos Estados Unidos, o que o tornaria inelegível para a Casa Branca. Dizem que ele é um usurpador.

Você ouvirá afirmações igualmente absurdas nos protestos contra Wall Street, onde uma Declaração de Ocupação acusa as grandes empresas americanas de envenenarem os alimentos e perpetuarem o "colonialismo". Mas não deixe que declarações as mais extremas representem o todo, nem descarte os manifestantes como tipos esquisitos.

Numa pesquisa realizada em janeiro pela Public Policy Polling, a questão proposta para os americanos foi a seguinte: qual das duas declarações melhor representa sua opinião sobre a situação econômica atual: "A cobiça das empresas contribuiu para chegarmos à crise financeira e suas práticas precisam ser controladas para recuperarmos nossa economia"; ou "Agora não é hora de coagir as empresas, quando estamos tentando recolocar nossa economia nos trilhos". Você pode ficar surpreso ao saber que 59% das pessoas questionadas selecionaram a primeira declaração, enquanto 33% preferiram a segunda.

Essa pesquisa indica que os protestos contra Wall Street refletem as frustrações de uma grande camada da sociedade americana. Os manifestantes estão falando uma língua tão antiga quanto os Estados Unidos, convocando os cidadãos que estão enfrentando dificuldades a se libertarem do jugo das empresas privadas. A única questão, na verdade, é se nossos líderes ouvirão. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Fonte: Estadão de SP

QUEM MANDA NO BRASIL...O BRASILEIRO OU A FIFA?

Fifa estima prejuízo de R$ 1,8 bilhão na Copa 2014

Entidade espera pelas adequações na Lei Geral da Copa para reduzir impacto financeiro negativo em 2014

08 de outubro de 2011 | 9h 54
Luiz Antônio Prósperi, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - A Fifa estima um prejuízo de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 1,8 bilhão) se o Brasil não adequar a Lei Geral da Copa às exigências da entidade. Os cálculos englobam desde os valores da meia-entrada, para estudantes e idosos, até os custos dos direitos de televisão e da proteção das marcas dos patrocinadores.
Atraso nas obras do Maracanã pode tirar estádio da Copa das Confederações - Felipe Dana/AP - 18/8/2011
Felipe Dana/AP - 18/8/2011
Atraso nas obras do Maracanã pode tirar estádio da Copa das Confederações

Para não correr este risco, a Fifa pediu ao governo brasileiro que a lei honre os compromissos assinados há dois anos pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que contemplavam todas as garantias exigidas pela entidade para a realização da Copa do Mundo de 2014.
No encontro entre a presidente Dilma Rousseff e Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, na segunda-feira, em Bruxelas, ficou definido que o projeto da Lei Geral da Copa vai passar por algumas adequações. Com as alterações, o prejuízo estimado pela Fifa seria reduzido. Depois das mudanças, advogados da Fifa vão esmiuçar a nova Lei Geral para, enfim, assinar o contrato entre o Brasil e a entidade garantindo o Mundial no País.
ATRASOA previsão é de que esse processo se arraste por pelo menos mais um mês. Até lá, a Fifa não poderá colocar à venda os ingressos da Copa. A expectativa era de que a comercialização dos bilhetes se iniciasse logo após o congresso da entidade, dias 20 a 21, em Zurique, quando se definirá a distribuição dos jogos, incluindo a abertura e a final, pelas 12 sedes.
Com o impasse da meia-entrada, a Fifa também não tem como definir os valores dos ingressos. Está descartado um aumento nos preços dos bilhetes, que seria uma contrapartida para compensar as “perdas” com o lote de meia-entrada a ser comercializado apenas no Brasil.
BEIRA-RIO FORANo Congresso da Fifa também serão definidas as sedes da Copa das Confederações que será disputada em meados de 2013. Das 12 cidades candidatas, São Paulo já está descartada e o Rio também corre risco com o atraso no cronograma de obras do Maracanã.
Porto Alegre é outra sede que está tecnicamente fora da Copa das Confederações. As obras do Beira-Rio nem começaram como a Fifa esperava, após a assinatura do contrato entre a empreiteira e o Internacional.
Apesar da festa de ontem, com a participação de Pelé, embaixador da Copa de 2014, e do Ministro do Esporte, Orlando Silva, no estádio gaúcho, a expectativa dentro da Fifa é de que “só por um milagre” o Beira-Rio vai ficar pronto no prazo para receber jogos do torneio preparatório ao Mundial de 2014.
A Fifa trabalha com pelo menos cinco sedes para abrigar a Copa das Confederações. Brasília seria o palco da abertura, Belo Horizonte, Salvador e Fortaleza, com as obras em bom ritmo, estariam garantidas.

Fonte; Estadão de SP

ENQUANTO ISSSO, O POVO DORME EM BERÇO ESPLÊNDIDO

Fraudes no Amapá já desviaram pelo menos R$ 1 bilhão dos cofres públicos

Inquérito final da Operação Mãos Limpas, ao qual o 'Estado' teve acesso, descreve envolvimento de integrantes dos três Poderes estaduais, do Tribunal de Contas e da Prefeitura de Macapá em esquema de desvio de recursos que opera há pelo menos uma década

08 de outubro de 2011 | 14h 16
Bruno Paes Manso, enviado especial - O Estado de S. Paulo
Com o TCE se eximindo das suas tarefas, deputados da Assembleia e funcionários do governo estadual e da Prefeitura de Macapá puderam agir sem freios. O inquérito calcula que o total de desvios entre os deputados estaduais chegou a R$ 300 milhões. Parlamentares abusaram do uso de verbas indenizatórias, de gastos com passagens e diárias, justificadas por meio de prestação de contas irregulares.
Só uma agência de viagens, a Martinica, cujo diretor fora sócio do presidente da Assembleia da época, Jorge Amanajás, recebeu mais de R$ 28 milhões em verbas de passagens da Casa.
Lavagem. Mais R$ 400 milhões foram desviados em contratos supostamente fraudulentos feitos pelo Estado e pela prefeitura. Segundo a PF, uma empresa de ônibus municipal, a Marco Zero, foi criada para lavar dinheiro dos desvios. Em um dos contratos irregulares investigados - com as empresas de segurança privada Serpol e Amapá Vip, que prestavam serviços para a Secretaria Estadual de Educação -, foram desviados perto de R$ 70 milhões em seis anos. As irregularidades afetaram compras de remédios, consertos de equipamentos hospitalares, verbas para programas sociais, reformas em escolas, aluguel de veículos e compra de combustível.
As consequências são vistas por todo o Estado, repleto de esqueletos de obras paralisadas por causa das irregularidades contratuais e com serviços deficientes na educação e na saúde. É exemplar o caso do Hospital Metropolitano, em Macapá, obra parada pela Justiça desde 2004, em um Estado que sofre com déficit de leitos.
Planejamento. Para evitar vazamentos e conseguir prender políticos graúdos no Amapá, a deflagração da Operação Mãos Limpas, ocorrida em setembro do ano passado, precisou alugar um navio com capacidade para 700 policiais federais, que viajaram 22 horas pelo Rio Amazonas até desembarcar em Belém, numa espécie de Dia D.
As tábuas de maré do Amazonas, que quando secam dificultam o trânsito de navios em Macapá, foram exaustivamente estudadas para evitar o encalhe.
 
Fonte:Estadão de SP