quarta-feira, 2 de novembro de 2011

PARA SER VERDADE, TEM QUE OUVIR OS DOIS LADOS

A TEORIA É UMA; A PRÁTICA, OUTRA - Jornalista Carlos Chagas
Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa -31/10/2011

A presidente Dilma Roussef decidiu sancionar numa só solenidade as leis da Comissão da Verdade e da proibição de sigilo eterno para documentos oficiais. Na teoria, tudo bem. Um dia de festa. Mas na prática, como funcionarão esses dois novos dispositivos legais?

Para a Comissão da Verdade começar a funcionar, o palácio do Planalto precisará nomear seus sete integrantes, que durante dois anos investigarão as lesões aos direitos humanos praticadas durante o regime militar por agentes do poder público.

O ponto alto dos trabalhos, prevê-se, acontecerá com os depoimentos de antigos militares e policiais denunciados como torturadores, sequestradores e assassinos.
Qual o comportamento da comissão se eles começarem a tentar justificar seus atos relatando supostos crimes praticados por suas vitimas? Caso incriminem o chamado “outro lado”, ou seja, de quantos apelaram para a luta armada e também sequestraram, assaltaram e até assassinaram agentes do estado?
                                 
A finalidade da Comissão da Verdade não é punir, sequer encaminhar ao Judiciário pedidos de punição. É apenas elucidar, revelar e denunciar os implicados. Mas farão o quê, os sete membros, diante de acusações contra os que pegaram em armas contra o regime militar? Proibirão a imprensa de assistir os depoimentos? Extirparão dos autos os nomes e as práticas do “outro lado”?

Com relação ao fim do sigilo eterno de documentos oficiais, outro nó vai aparecer: e se as autoridades às quais se dirigirão os pedidos de abertura desses documentos informarem que eles foram destruídos? É importante para a memória nacional, por exemplo, conhecer os arquivos da guerrilha do Araguaia, em todos os seus detalhes. Ou, mesmo, todos os papéis da guerra do Paraguai. Por que não o conteúdo dos abomináveis decretos-secretos dos tempos do general Garrastazu Médici?

A resposta de que foi tudo destruído pode gerar dúvidas, mas como contestá-la? Fica óbvio, assim, que uma coisa é a teoria, outra a prática. A festa no gabinete da presidente Dilma deve ser feita com cautela, sem muitas celebrações, pois o caminho parece árduo, tanto para a Comissão da Verdade quanto para os pesquisadores de documentos até agora mantidos em sigilo eterno.

Observação do site http://www.averdadesufocada.com/
Excelente a pergunta do jornalista Carlos Chagas. Não cremos que eles queiram a divulgação da motivação principal para desencadearem a luta armada, e que os crimes,  praticados pelos militantes de organizações subversivo-terroristas sejam divulgados e que seus autores sejam investigados. O Direito à Memória e a Verdade apresentada ao povo, pelo visto, será apenas a historia que interessa ao governo atual -  Não houve combate , nenhum morto era guerrilheiro, muito menos terrorista , eram "pobres estudantes desarmados,  mortos nos porões da ditadura.", . "heróis que lutavam pela democracia e liberdade


Fonte:Ternuma

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